Fotografia Religiosa

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Em entrevista para a Adora Comunicação, o fotógrafo e publicitário Wallace Freitas, discípulo da Comunidade Católica Shalom, divide suas experiências e olhares sobre a fotografia.

Wallace descobriu sua vocação à fotografia através do serviço a Deus, quando no início da sua caminhada dentro da Comunidade Shalom, foi convidado a participar da comunicação de um evento.

“Na missão, na oferta e na doação fui descobrindo os dons que o Senhor me deu e na faculdade fui estudando e me aprofundando naquilo que já era dom de Deus em mim.’’

Ele trabalhou como fotógrafo e designer gráfico no escritório de comunicação da comunidade, em Fortaleza e lá pôde viver diferentes experiências, em cobertura de eventos e coordenação de equipes.

Hoje, morando há um ano e meio em Roma, como missionário, Wallace tem dois grandes compromissos com a comunicação; o primeiro é administração da comunicação do Centro Internacional São Lourenço, que envolve a parte gráfica, planejamento e gerenciamento de mídias sociais.

Além disso, no Centro São Lourenço, onde atua, está o escritório internacional da Comunidade Shalom, por isso é responsável por toda a disseminação dos materiais de comunicação para as casas de missão e setores da comunidade.

 

Transformação do olhar a partir da experiência

“Ter vindo pra Roma me ajudou a ter uma outra dimensão de beleza. Nós que trabalhamos com a fotografia temos esse compromisso de mostrar a beleza e, sendo católico, tenho a responsabilidade de revelar a beleza de Deus e da Igreja.”

Wallace conta que quando chegou em Roma e teve contato com as arquiteturas, as obras de artes e as esculturas, a certeza deste compromisso de comunicar a beleza se tornou ainda maior:

“Perceber as pinturas, cores, perspectivas presentes na cidade agregou muito valor ao meu olhar. Além disso, Roma nos conduz a diversas experiências espirituais, visto que é uma terra de peregrinos e mártires. Aqui temos contato com uma Igreja de muitos monumentos, mas uma Igreja viva, cheia de movimento.”

O fotógrafo ressalta ainda que a imagem pode ser estática, mas ela revela um momento, uma situação repleta de sentimentos, significado e histórias; um registro que é consequência de uma experiência.

“Gosto muito de um fotógrafo francês que diz sobre o ‘momento decisivo’ na fotografia; um clique que é capaz de manifestar tudo o que é vivido no momento da foto e, com essa ideia, entendo que a graça também é um instante decisivo.”, revelou o fotógrafo.

De forma geral, estar em Roma o leva a experimentar a forte ligação da fotografia com o ser cristão e o ser Igreja.

 

A fotografia como evangelização nas mídias sociais

Quando começou a ter uma experiência mais profunda com Deus, Wallace carregava uma grande vontade de evangelizar, transmitir o que sentia e experimentava a outras pessoas. Porém, por ser uma pessoa muito tímida, tinha dificuldade em se expressar e encontrar as palavras certas.

A fotografia se tornou, assim, uma forma de expressar aquilo que as palavras não eram capazes de transmitir.

“São Francisco diz para evangelizarmos e se necessário usarmos palavras. Entendi isso como a minha missão: evangelizar através da imagem, entendendo o poder que uma fotografia carrega e sua imensa capacidade de expressão.

Ademais, meu início com a fotografia se deu no momento em que surgiu o Instagram, então comecei a usá-lo também como um canal de evangelização e tive muito claro que a fotografia era o meu meio de evangelizar e me expressar; vejo o Instagram como uma terra de missão: lá tenho a oportunidade de passar minhas experiências com Deus, transmitir mensagens e propor reflexões, quando o Senhor as suscita.”

Wallace vive e acredita na evangelização que se dá nas mídias sociais, por meio da fotografia. Prova disso é enxergar o Instagram, uma rede social, como a sua terra de missão.

 

O propósito de cada clique

O fotógrafo Wallace Freitas divide também seu olhar para o propósito de cada fotografia; é o Senhor que conduz cada clique, que suscita o momento certo para que ele se torne público.

“Às vezes estou rezando e Deus me fala de algum aspecto específico, revela alguma palavra ou direcionamento e eu me lembro de uma foto que tirei. Mesmo que não tenha um sentido religioso, acrescento um texto ou uma legenda que transmita a mensagem de Deus e publico, como forma de expressar aquilo que o Senhor falou ao meu coração.”

Para ele, cada postagem é fruto de sua experiência pessoal com Deus, que o capacita com a sensibilidade necessária para entender qual imagem publicar, de que forma e em qual momento.

Em cada detalhe a graça e o cuidado de Deus se manifestam: desde o olhar para a situação que será um futuro registro, sua captura até sua abertura a outras pessoas.

 

O impacto da imagem e seu poder de transformação

Como forma de ilustrar a certeza de que a fotografia é, acima de tudo, uma consequência do olhar e da experiência com Deus, Wallace divide um de seus testemunhos:

“Tem uma foto que marca a minha vida, uma foto que olho e penso que jamais conseguirei fazer um registro igual.

Estava fotografando um evento da comunidade, o Halleluya. Era uma quinta-feira de Adoração e o Moysés Azevedo, nosso fundador, era quem conduzia o momento.

Durante a adoração, aconteceu uma chuva inesperada e todo o povo que estava participando procurou uma parte coberta para se proteger.

Quando subi no placo para continuar a fotografar, vi que Moysés havia permanecido lá, mesmo descoberto. Ele não permitiu que nada, nem mesmo a chuva fosse capaz de interromper a condução de Deus.

Eu então registrei aquele momento, em que nosso fundador mesmo molhado permaneceu ajoelhado e em oração.

Essa foto, depois de publicada, ficou conhecida pelas pessoas, que vinham falar comigo ao descobrirem que eu era o autor. Recebi mensagens de gratidão pela foto e testemunhos de pessoas dizendo que ao verem a imagem tinham um grande desejo de rezar.

Ela se tornou também um marco para a comunidade, pois com a atitude de Moysés pudemos refletir sobre o permanecer diante do Senhor, independente das circunstâncias.’’

 

 

Sobre esta imagem, Wallace diz também que jamais seria capaz de tira-la se não fosse pela graça de Deus. Uma foto despretensiosa, inesperada, que gerou um alcance que o fotógrafo jamais poderia imaginar.

“Essa foto virou até mesmo um quadro, que uma pessoa pintou e me deu de presente, como um agradecimento por aquilo que ela viveu através da imagem.’’

Uma foto que se transformou em oração, em arte e em conversão; foi um cuidado de Deus com a Comunidade Shalom e a confirmação para Wallace, de que a condução e o agir vêm sempre do Alto.

“Com essa fotografia, posso dizer que, se eu nunca mais tirar fotos, minha missão está cumprida!’’, concluiu ele.

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